Delicados Pés
Isso é que é uma boa mistura
Baião de dois, depois das dez
Você mais eu, sua ternura
Rompendo o breu com lindos pés
Pés de arrastar no chão
Pés de flor no xaxado
Pés de dançar baião
Belos pés, tão delicados
Isso é que é uma obra de arte
A bailarina nesse forró
Com suas pernas pra toda parte
E eu suando — ninguém tem dó...
Dó que só é mero tom
Dó por piedade santa
Dó musical do som
Tenha dó, você me encanta
Isso é que é um arrasta-pé
De levantar pó da lajota
Eu vou na rota que o corpo quer
As minhas voltas só você nota
E vai de arrasto seus belos pés
Com o gingado mais feliz
Balança tudo de lés a lés
Do xote bom ao baião raiz
Pés de arrastar no chão
Pés de flor no xaxado
Pés de dançar baião
Belos pés, tão delicados
[Poema recitado]
Em criatura urbana
Nunca vi tamanha candura
Me faz suar e abana
Com aroma de coisa pura
Nunca vi tanta bondade
Em moça de capital
Exala humanidade
E assenta com o capinzal
[música]
Isso é que é um forró forrado
Tão bem dançado, sua doçura
Toda a rudeza deste criado
E a beleza, sua formosura
Pés no chão de cimento queimado
Pisa no calo, meu embaraço
Nem camomila ou chá de xaxado...
A sola lisa do pé descalço
Sola que alisa o solo
Livre nesse planalto
Solta, pedindo colo
Nua assim, de couro e salto
Ledo frescor do seu molejo
Beijo elegendo o meu abraço
Sinto o calor do seu adejo
O belo ensejo dá nó no laço
© Yuri Felix Araujo
Salvador, 30 de abril de 2026 às 18:27
Composição: Yuri Felix
Voz Original: Yuri Felix
Produção Musical e Instrumentação:
Suno AI
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Delicados pés 2
Darcy disse a Karen,
em Entre Dois Amores,
dentre todas as poesias
ninguém a fez sobre pés
"Exaltam-se os lábios,
olhos, mãos, seios,
mas nunca os pés", disse.
Então resolvi escrever
poemas para expressar
minha afeição e entusiasmo
pelos perfeitos pés femininos.
Para mim, como flores: lindos.
De belas plantas, macias pétalas,
dignos da boa cabeça
de bons pensamentos,
onde se encontram as raízes,
os ramificados cabelos.
São sensíveis cristais,
os mais fiéis ao âmago
e à amabilidade da alma.
Os pés são os mais refletores,
entre os visíveis detentores
da maciez e da calma.
Por isso está escrito:
“Como são lindos os pés
do mensageiro da paz”.
Pois são os condutores
de uma virtude que apraz.
Na mulher, então, mais ainda,
os pés oferecem uma visão linda,
de infinita e jovial contemplação.
Se descalços, simples e suaves.
Se para cima,
impetuosos feito aves.
Fosse eu um místico cigano
seria um especialista em leitura
dos mistérios da indecifrável mulher.
Mas não leria só as mãos macias,
das bem traçadas linhas de poesia,
o mapa dos anelos, dedos e anéis.
Indagaria, também, bem de perto,
o esperto texto da sola dos pés,
em cujos estros escondem o viés
e o divino desenho revela a essência.
Dar-me-ia a essa instigante penitência
de minuciosa investigação: “quem és?”
Os pés femininos são delicados.
Não são só muito elegantes
esses membros de vulto.
Antes, são vibrantes, alegres, dançantes
e possuem em seus astros atributos
e requintados encantos especiais.
Se bem andam no caminho do bem
São atraentes, sorridentes, naturais.
Quanto mais se cuida da mente
mais resplendente é a visão dos pés.
