Delicados pés

Darcy disse a Karen,
em Entre dois Amores,
dentre todas as poesias
ninguém a fez sobre pés
"Exaltam-se os lábios,
olhos, mãos, seios,
mas nunca os pés", disse.

Então resolvi escrever
poemas para expressar
minha afeição e entusiasmo
pelos perfeitos pés femininos.
Para mim, como flores, lindos.
De belas plantas, macias pétalas,

dignos da boa cabeça

de bons pensamentos,

onde se encontram as raízes,
os ramificados cabelos.

São sensíveis cristais,
os mais fiéis ao âmago
e à amabilidade da alma.

Os pés são os mais refletores,

entre os visíveis detentores
da maciez e da calma.

Por isso está escrito:
“Como são lindos os pés
do mensageiro da paz”.
Pois são os condutores
de uma virtude que apraz.

Na mulher, então, mais ainda,
os pés oferecem uma visão linda,
de infinita e jovial contemplação.
Se descalços, simples e suaves.
Se para cima, impetuosos feito aves.

Fosse eu um místico cigano
seria um especialista em leitura
dos mistérios da indecifrável mulher.
Mas não leria só as mãos macias,
das bem traçadas linhas de poesia,
indagaria, também, bem de perto,
o esperto texto da sola dos pés,
em cujos estros escondem o viés
e o divino desenho revela a essência.
Dar-me-ia a essa instigante penitência
de minuciosa investigação: “quem és?”

Os pés femininos são delicados.
Não são só muito elegantes

esses membros de vulto.
Antes, são vibrantes, alegres, dançantes
e possuem em seus astros atributos
e requintados encantos especiais.


Se bem andam no caminho do bem
São atraentes, sorridentes, naturais.